UMA CONVERSA SOBRE O PROCESSO DE FORMAÇÃO
DO EDUCADOR
O texto a seguir
traz um pouco das ideias que, juntamente ao estudo de outros textos, permearam
o processo de formatação dos nossos encontros de formação.
No decorrer da
leitura, é possível identificarmos pistas dos caminhos a serem trilhados na
busca pelo sucesso do processo ensino-aprendizagem.
Tive a
iniciativa, e porque não dizer o atrevimento, de destacar algumas passagens do texto que se relacionam com a formação continuada
do professor, processo este que desenvolveremos aqui na casa do educador.
Boa leitura!
CARINA BEATRIZ
NASCIMENTO
Profª. Mediadora
da área de ciências – Casa do Educador
Paulo Freire - Concepções de Escola, Ensino e Aprendizagem
O educador e escritor brasileiro
Paulo Freire foi e continua sendo referência na educação brasileira. Freire
escreveu diversas obras, entre elas a Pedagogia
da Autonomia - Saberes necessários à prática educativa, dividida em três
capítulos, os quais versam sobre o processo de formação do educador
enquanto sujeito democrático, viabilizando a sua própria autonomia,
como também a do educando. [...]
Nessa obra, o pesquisador
demonstra perceber a escola como um ambiente favorável à aprendizagem
significativa, onde a relação professor-aluno acontece sempre com diálogo,
valorizando o respeito mútuo. O espaço escolar deve sempre contribuir para a
curiosidade, a criatividade, o raciocínio lógico, o estímulo à descoberta.
[...]
A partir desse prisma, veremos a
seguir algumas considerações que evidenciam os saberes necessários à prática
docente:
1. a pesquisa como meio
de aperfeiçoamento docente contínuo [... ];
2. o respeito aos saberes dos
alunos, advindos das experiências anteriores à sala de aula [...];
3. a reflexão constante da teoria
aliada à prática docente [...];
5. a relação que se estabelece
entre educador e educando é alicerçada pelo princípio do aprendizado mútuo, não
havendo uma verdade absoluta trazida pelo professor para a sala de aula [...] ;
6. a ética como elemento essencial
na prática educativa [...];
Paulo Freire considera que o
docente não deve se limitar ao ensinamento dos conteúdos, mas, sobretudo,
ensinar a pensar, pois pensar é não
estarmos demasiado certos de nossas certezas. (FREIRE, 1996, p. 28) [...]
Ensinar é, portanto, buscar,
indagar, constatar, intervir, educar. O ato de ensinar exige conhecimento e,
consequentemente, a troca de saberes. Pressupõe-se a presença de indivíduos
que, juntos, trocarão experiências de novas informações adquiridas, respeitando
também os saberes do senso comum e a capacidade criadora de cada um.
A verdadeira aprendizagem é
aquela que transforma o sujeito, ou seja, os saberes ensinados são
reconstruídos pelos educadores e educandos e, a partir dessa reconstrução, tornam-se
autônomos, emancipados, questionadores, inacabados. Nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se
transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber
ensinado, ao lado do educador igualmente sujeito do processo. (FREIRE,
1996, p. 26). Sob esse ponto de vista, percebemos a posição do educando
como sujeito desse processo de reformulação do conhecimento, ao lado do
educador. Ele passa a ser visto como agente e não mais como objeto, isto é,
ambos fazem parte do processo ensino-aprendizagem numa concepção
progressivista.
O referido autor considera ainda
que: Ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua
construção (FREIRE, 1996, p. 21). Dito de outra forma, o docente
deve transmitir o conhecimento, buscando proporcionar ao discente a compreensão
do que foi exposto e, a partir daí, permitir que o mesmo dê um novo sentido,
quer dizer, a ideia é não dar respostas prontas, mas criar possibilidades,
abrir oportunidades de indagações e sugestões, de raciocínio, de opiniões
diversas etc. Jamais impedir as interações, as opiniões, os erros e os acertos,
isto é, todos esses elementos permitirão que o aluno alcance o real
conhecimento e continue a buscá-lo incessantemente de forma autônoma e
prazerosa.
Adaptado de<http://letrasunifacsead.blogspot.com.br/p/paulo-freire-concepcoes-de-escola.html>
Acessado em 10/5/14.
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